Muitos buscam a ideia genial para se tornar o próximo empreendedor milionário, mas poucos percebem que os problemas e as soluções fazem parte do nosso cotidiano e das nossas vidas. Foi exatamente assim que o empreendedor Samuel Toaldo, do Goleiro de Aluguel, descobriu que uma de suas paixões, ser goleiro, na verdade é um mercado que movimenta 31 bilhões de reais ao ano e o melhor, que ninguém ainda desbrava essa floresta com coragem.

Tempo de aventura de uma história ainda sem fim

O sonho de infância de Samuel era igual ao de todos os meninos da rua: eles não queriam só jogar bola, queriam mesmo era vestir a camisa de um clube de futebol profissional. Cada um acabou seguindo o seu próprio caminho. Ele, longe de se arrepender, se tornou técnico em Informática e estudou Física.

O bate-bola com os amigos nunca ficou de lado. Mas, ao contrário deles, Samuel não gostava de fazer gols, e sim de evita-los. É um goleiro nato. “Aqui nasceu Pelé, Romário, Ronaldo Nazário e Neymar, ninguém gosta de ficar debaixo das traves tomando boladas, todos buscam a glória de ver aquela rede balançar. Quando a galera descobria que eu era goleiro — dos bons, diga-se de passagem — me buscavam na porta da minha casa todos os dias, pra segurar a onda dos peladeiros e fechar o time, sem precisar revezar ou colocar o pior do grupo no gol”, conta.

No final de 2014, Samuel já tinha perdido as contas de quantas vezes entrou em campo. Ao comentar o feito com o amigo, ele prontamente respondeu: “O pessoal chama você só porque é goleiro”. Foi então que seu espírito empreendedor começou a mostrar a cara. “Pra tirar um sarro, criei a fanpage Goleiro de Aluguel e, na descrição, colocava-me à disposição para fechar o gol pelo valor de 30 reais”, revela. Nas partidas entre amigos é tradição o goleiro não pagar os custos de aluguel do campo, mas Samuel foi surpreendido quando começaram a enviar mensagens com convocações para jogar de aluguel. No primeiro mês, utilizando somente o Facebook, ele jogou 13 partidas e faturou R$ 390,00, dinheiro extra que rendeu ao goleiro o sentimento de ser um atleta profissional.

Primeira divulgação do Goleiro de Aluguel (imagem: arquivo pessoal)

Profissão: goleiro

Os interessados não paravam de surgir: foi então que Samuel identificou ali uma oportunidade de negócio. Rabiscou um modelo de negócio e criou um MVP (Minimum Viable Product). Foi neste período que conheceu Eugen Braun, hoje, o sócio de Samuel. “Eugen se mostrou bem interessado em atuar como goleiro de aluguel e, mais do que isso, se ofereceu para ajudar na organização da ideia”, relata. Sem pensar duas vezes, ele convidou o cara para fazer parte do negócio que ele mesmo intitula “disruptivo”. Agora com um sócio, seria mais fácil abrir portas para explorar o mercado do futebol amador brasileiro.

Como grande parte dos negócios, o orçamento da dupla era baixo, ou seja, para gerenciar todo o sistema que haviam desenhado era necessário utilizar ferramentas gratuitas. Sem profundo conhecimento na área, Samuel criou o primeiro site do Goleiro de Aluguel numa plataforma grátis da internet: o WordPress.

Para os empreendedores, a maior vantagem de utilizar estes recursos disponíveis na internet é que, além de serem de graça, o acesso pode ser feito de forma simultânea e remota.

Por lá, ele teve a ideia de inserir um Google Forms de cadastro para os próprios goleiros se colocarem à disposição para os jogos e para os próprios times solicitarem goleiros. Os dados alimentavam uma planilha no Google Sheets, onde toda a mágica acontecia. Para os empreendedores, a maior vantagem de utilizar estes recursos disponíveis na internet é que, além de serem de graça, o acesso pode ser feito de forma simultânea e remota. Basta uma conexão meia boca com a internet e um navegador.

Banner do primeiro site. (imagem: arquivo pessoal)

A magia da internet faz tudo acontecer

Nem sempre sabemos aproveitar os recursos que nos estão disponíveis por meio dos aplicativos gratuitos.

O link entre contratantes e goleiros era feito por Samuel e Eugen através do WhatsApp, outra ferramenta inteiramente sem custos. “Nem sempre sabemos aproveitar os recursos que nos estão disponíveis por meio dos aplicativos gratuitos. Com as listas de transmissão do WhatsApp, cadastramos os goleiros do Google Sheets na agenda do iCloud. Padronizamos as mensagens no bloco de notas do Smartphone e isso agilizou a comunicação, era só copiar e colar”, revela Samuel com orgulho.

Tudo estava configurado para notificações via e-mail e, toda vez que um novo cadastro acontecia no Google Forms, ele e o sócio comemoravam. “As solicitações de goleiros precisavam ser respondidas o mais rápido possível. Por isso, diminuí o tempo de atualização dos e-mails no Smartphone”. Ainda que seja muito fácil estar conectado o tempo todo, administrar as cargas de bateria não estava tão simples assim. A solução básica encontrada por eles foi comprar carregadores extras e baterias portáteis, o que os tornariam homens conectados full time.

A planilha de cem mil reais

Os sócios – e amigos – Samuel e Eugen, conseguiram criar um sistema de convocações totalmente online e gratuito, capaz de unir goleiros avulsos e times defasados, e ainda, lucrar com tudo isso.

Funcionava assim: quando um goleiro era solicitado, era enviada uma convocação na lista de transmissão de WhatsApp daquela região. O primeiro que respondesse “ACEITO”, recebia o contato do contratante e assim era o “MATCH”. O goleiro recebia em mãos o valor referente à partida e devia passar – na base da confiança mesmo – o valor referente à comissão dos dois. “Nossa planilha controlava além dos jogos, a parte financeira. O Eugen era responsável por entrar em contato com os usuários e realizar a cobrança de nossa comissão”, explica.

A gamificação foi provocando um crescimento através dos usuários. Após os jogos, quem contratava os goleiros respondia por e-mail um formulário de avaliação. As notas que eram atribuídas a eles eram utilizadas num ranking e, ao final do mês, o melhor goleiro era premiado com um par de luvas profissional.

Foi com Facebook e WhatsApp que eles operaram os 6 primeiros meses do negócio. Depois, evoluíram para o site com formulários e a planilha compartilhadas. Com esse fluxo que os empreendedores trabalharam durante 14 meses e faturaram quase R$100.000,00.

E qual a lição que fica?

Fazendo tudo isso manualmente, os dois conviveram de perto com os próprios clientes: uma oportunidade valiosíssima para as empresas. Desenharam o modelo exato da primeira versão de um aplicativo e apostaram num único, mas certeiro, tiro. Hoje, o Goleiro de Aluguel fatura R$ 30 mil por mês e cresce, em média, 22,5% ao mês.

Samuel e Eugen divulgado o site nos complexos esportivos de Curitiba. (imagem: arquivo pessoal)

Assim, com todos esses recursos gratuitos, que eles aproveitaram para colher dados de amostragens. Chegaram à conclusão de que mais de 1 milhão de partidas acontecem todos os meses em quadras de aluguel, sendo que 60% não possuem goleiros fixos. Ou seja, isso é só o começo de uma história que está longe de ter um fim.

Os próximos capítulos ficam para uma outra oportunidade!

 

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