Quase que todos os polímatas que temos encontrado, durante este primeiro mês da Polímatas, disseram estudar por conta própria. Na minha primeira startup, nós falávamos muito sobre autodidatismo; contudo, faltou falar um pouco em nossas conversas sobre a probabilidade que existe de estarmos estudando “errado”. Sim, um autodidata pode enfrentar problemas com sua postura na hora de aprender novas habilidades e conhecimentos.
Vamos ver agora três problemas comuns na mentalidade de quem vai estudar por conta própria.

1 – Tem muitas coisas que você não sabe que você não sabe.

Esse é um obstáculo fundamental para o crescimento de qualquer estudante. Você precisa constantemente buscar referências. Estudar por conta não é estudar sozinho. Por isso, eu sempre rejeito a frase “você é um autodidata” porque sei que na grande maioria das vezes as pessoas querem dizer que “você se ensina”. Autodidata é aquele que persegue com vigor o seu aprendizado. Admita: você não sabe tudo do assunto (até por isso que está estudando ele).

Conheça o efeito Dunning-Kruger, como explicado em seu artigo (numa tradução livre):
As pessoas tendem a ter visões excessivamente favoráveis de suas capacidades em vários domínios sociais e intelectuais. Os autores sugerem que esta superestimação ocorre, em parte, porque as pessoas que são não qualificadas nestes domínios sofrem uma dupla carga: Não só elas chegam a conclusões errôneas e fazem escolhas infelizes, mas sua incompetência rouba-lhes a capacidade metacognitiva para perceber isso.

Ponto é: como você saiu do zero, ao chegar em qualquer ponto mais avançado ao estudar por conta, você vai se sentir muito bom e, de certa forma, dominador do assunto. Cuidado. Busque referências e pessoas que possam te ajudar a encontrar um caminho de aprendizado, para você saber o que você não sabe.

2 – Você não é um especialista em aprendizagem.

Por mais que eu já tenha dito antes que precisamos abandonar muitos conceitos e paradigmas que temos sobre Educação, de longe eu quero dizer que eu tenho a resposta. A pedagogia e didática atuais têm sim coisas para nos ensinar. Provavelmente é um erro você achar que você entende mais sobre o processo de estudar por conta e aquisição de habilidades do que um especialista no assunto (mesmo quando falarmos sobre como você, em específico, aprende).

Em seu blog, Erik Dietrich fala sobre a “ascensão do novato especialista” (publicação em Inglês), em uma tradução livre. Ele introduz o conceito do novato especialista por meio de uma analogia com a sua experiência com o boliche.
Ele diz que em seus primeiros dias como um jogador, ele desenvolveu uma técnica que não envolve colocar os dedos na bola de boliche. Essa técnica funcionou bem – até certo ponto. Ele foi capaz de melhorar a um certo nível na competição que ele jogou, marcando até 160 (de 300) em um jogo. Até que ele parou de melhorar. Um gerente com mais idade, eventualmente, disse o que seria necessário para crescer. Ele havia chegado ao limite de progresso jogando daquela maneira (que era errada). Se ele quisesse evoluir, teria que voltar atrás e aprender a jogar da maneira certa. E, o pior de tudo, ele seria um jogador ruim até que possa voltar no estágio que estava e, depois, ser ainda melhor.

O novato especialista encontra-se em uma posição na qual eles fazem algo “suficientemente bem” e até mesmo “melhor do que a maioria”, mas não de forma “verdadeiramente excelente”. Por não saber ou por ignorar ativamente as suas próprias lacunas de conhecimento, o novato especialista perde a oportunidade de descobrir o que eles não sabem. Este é um enorme inibidor de crescimento.

Ponto é: tente estudar sobre o processo de aprendizagem, ainda mais se for de áreas que você não tem contato; por exemplo: um administrador estudando, pela primeira vez, sobre design.

3 – Ignorar o planejamento.

Ao contrário do que muitos pensam, estudar por conta não é sinônimo automático de aprender mais rápido. Recomendo muito a leitura sobre o modelo dos irmãos Dreyfus, pois ele te trará uma visão organizada e mastigada sobre o processo de aprendizado.

Muitos, ao estudar por conta própria, querem aprender uma coisa bem específica, como uma ferramenta ou uma técnica em especial. Contudo, se o seu caso for de aprender sobre uma área que seja abrangente, tome algum tempo tentando planejar seus estudos, faça um balanço entre estudos experimentais (pesquisa, perguntas, identificação de teorias e modelos) e de absorção (aulas, vídeos, leitura). Enfim, saiba que, se você está querendo estudar algo por conta própria, existem muitas chances de cair no problema 2.

Ponto é: Pense no que pode acontecer devido ao efeito Dunning-Kruger e tente antecipá-lo.

Você já havia refletido sobre essas mentalidades sobre o ato de estudar por conta própria?

Reconheça que a estudar por conta não significa não precisar de ajuda. Se isso é válido para o conhecimento em si, também é muito mais forte para a didática da coisa. Se você aprender de maneira errada, o processo de re-aprender vai ser muito mais doloroso (contudo, com certeza de tempos em tempos precisamos fazer isso).
Estudar por conta significa estar ativamente na busca e expondo-se a diferentes conhecimentos e crenças do que aqueles que você já possui. É uma boa jornada.

Para fazer já: liste os conhecimentos e habilidades que você está tentando aprender hoje e comece a fazer seu planejamento. O que eu sei, o que eu não sei e o que eu não sei que não sei. Nesse última coluna, vá preenchendo conforme você for pesquisando por referências, termos da área que você antes não conhecia e nomes de pessoas influentes. Em seguida, veja as skills que você precisa desenvolver para aprender as novas skills da segunda coluna.

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